Por Ednilson Monteiro Rosas, IA
Caros amigos enxadristas, colegas árbitros e membros da comunidade FEXERJ,
Recentemente, tive o prazer de participar de uma discussão aprofundada com outros Árbitros Internacionais em uma live, onde mergulhamos nos intrincados detalhes dos Critérios de Desempate no xadrez. Foi um diálogo enriquecedor, que ressaltou não apenas a complexidade técnica de nosso esporte, mas também a importância vital da precisão e da padronização em cada torneio que realizamos.
A verdade é que, para o público em geral, os critérios de desempate podem parecer apenas uma formalidade. No entanto, para nós, que vivemos e respiramos o xadrez, eles são a espinha dorsal da justiça e da integridade competitiva. Na live, exploramos as nuances de critérios como o Bucholz (em suas variações total, com corte do pior resultado e a média dos oponentes), o Sonneborn-Berger, e o Confronto Direto. Discutimos a aplicação ideal de cada um, como o Confronto Direto se destaca em torneios Round Robin (“todos contra todos”) devido à consistência dos oponentes, em contraste com as particularidades dos sistemas Suíços, onde a escolha e a ordem dos critérios pelo árbitro, baseada em sua experiência, são cruciais. Abordamos também o “Código 77” ou “A ou B” (média de Bucholz), que estreamos com sucesso na final do Brasileiro, e a importância de softwares como o Swiss Manager para a correta tabulação e aplicação desses complexos cálculos. Aprofundamos, inclusive, em questões como a validade de critérios que envolvem “cores pretas” em rodadas ímpares e a percepção de que o sistema Suíço pode, por vezes, ser uma “loteria”, exigindo uma seleção cuidadosa para garantir a equidade.
Este debate técnico, que se aprofunda na regulamentação da FIDE e nas melhores práticas, reforçou minha convicção de que o xadrez moderno exige não só paixão, mas uma expertise técnica aprofundada e uma visão estratégica para sua gestão.
Minha jornada no xadrez tem sido pautada por essa busca incessante pela excelência e pela modernização. Como Presidente da Federação de Xadrez do Rio de Janeiro (FEXERJ), fundador e ex-Presidente do Clube Xadrez Carioca (CXC), e Diretor da Região Sudeste da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX), tenho tido a oportunidade de aplicar essa filosofia em diversas frentes.
A experiência prática em torneios de grande porte, como o Aberto do Brasil SESC Caiobá, o Rio Chess Open e o Floripa Chess Open – onde atuo na arbitragem, na configuração e operação dos tabuleiros DGT, e na transmissão de imagens ao vivo – é um testemunho do meu compromisso com a vanguarda tecnológica. A capacidade de gerenciar esses sistemas complexos, garantindo a fluidez e a transparência das partidas, é crucial para a credibilidade de nossos eventos. Ser o representante exclusivo no Brasil da idChess, uma empresa que transforma tabuleiros comuns em digitais para gravação e transmissão, é um reflexo direto dessa dedicação em trazer o que há de mais avançado para o xadrez brasileiro.
A organização de eventos como o III Rio Chess Open 2024 e os Campeonatos Pan-Americanos Sub-20 de 2023 (Open e Girls) demonstra não apenas a capacidade de planejar e executar projetos de grande escala, mas também o impacto significativo que essas iniciativas têm na projeção do xadrez nacional no cenário internacional. Esses torneios, que atraem participantes de diversas nações, exigem uma compreensão profunda dos regulamentos da FIDE e uma habilidade única para harmonizar diferentes culturas e expectativas sob a égide do fair play.
Minha vivência internacional, incluindo períodos de residência em Boston (EUA) e Londres (Inglaterra), e minha fluência em inglês, têm sido ferramentas indispensáveis para essa integração global. Elas me permitem não só dialogar com as principais entidades do xadrez mundial, mas também importar as melhores práticas e inovações para o nosso país, elevando o nível de nossos árbitros, organizadores e atletas.
A discussão sobre os critérios de desempate na live é apenas um pequeno, mas significativo, exemplo do nível de detalhe e expertise que dedico ao xadrez. É essa combinação de conhecimento técnico aprofundado, liderança institucional, capacidade organizacional comprovada e visão internacional que me impulsiona a continuar contribuindo para o crescimento e a modernização do xadrez brasileiro.
Acredito que, ao investir em tecnologia, capacitação e na organização de eventos de alto nível, estamos não apenas formando melhores enxadristas, mas também construindo uma comunidade mais forte e conectada globalmente.
Com um olhar sempre voltado para o futuro.
Um forte abraço,

Ednilson Monteiro Rosas (IA)
(Ednilson Monteiro Rosas é Árbitro Internacional da FIDE, Presidente da FEXERJ (Federação de Xadrez do Estado do RJ, Diretor Regional da CBX (Confederação Brasileira de Xadrez e fundador do CXC (Clube Xadrez Carioca) e o maior especialista em Transmissão de torneios de xadrez utilizando idChess e DGT)
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